sábado, 2 de junho de 2012

Loja de Sapatos

"Seu tênis tá um lixo, vá comprar outro! Eu pago!"

Assim disse meu pai, por isso parto até o shopping Iguatemi a meio quilômetro da minha casa, com o timberland de dois anos e meio e nenhum saco para escolher algo novo. Olho para o meu tênis velhinho e penso: "Eu gosto dele! Quantas partidas do Botafogo assistimos juntos? Em quantas festas e baladas estivemos? Quantas vezes corremos juntos em busca do ônibus e da barca? E quantas vezes esse tênis assistiu reuniões de associação comunitária, sendo uma fiel testemunha do nascimento de um Banco Comunitário?".

Por mim, não trocaria ele. Admito que ele já está em petição de miséria, em janeiro ainda levei-o ao sapateiro para consertar umas tiras de couro que soltavam. Mas de fato, outras tiras se soltavam depois e o forro interno começava a se desfazer, machucando o meu pé. Ainda assim, teria consertado tantas outras vezes se fosse necessário, e lavado... mas ainda assim ele pareceria "semi-novo".

Só comprei outro porque meu pai disse que me daria o dinheiro. Enfim, mas para irmos direto ao ponto, esse texto não é sobre meu timberland de dois anos e meio e sim sobre a loja de sapatos.

Entro com uma pressa típica daquele que só quer entrar e ir embora. Enquanto isso, uma simpática morena, muito bonita de curvas admiráveis pergunta se desejo algo. Rotina padrão das lojas de shopping com vendedores bem treinados.

"Quero um tênis... PARA TRILHA".

Ai vocês me perguntam, porque alguém tão urbano como você deseja um tênis de trilha? Aprendam uma coisa caros leitores, no modelo produtivo em que vivemos as coisas não foram feitas para durar, minha compra se baseia simplesmente em um tênis que dure o máximo de tempo possível, que aguente idas diárias a Niterói e Saracuruna, e não venha a "soltar as tiras" em menos de um ano.

A morena chama uma vendedora loura, igualmente bonita e com curvas igualmente admiráveis. Fico pensando deve ser padrão das lojas de sapatos contratar mulheres gostosas, obriga-las a usar um tênis esportivo chamativo (com cores bem contraditórias como prata com laranja diga-se a passagem). Alguns lugares ainda, como essa loja, obrigam as vendedoras a usar uma camisa babylook com gola polo, destacando seus seios e calças de ginásticas, acentuando as curvas traseiras e o "capô de fusca" na parte dianteira.

Elas me mostra os modelos, só havia adidasreebok que estavam de acordo com as especificações que eu queria, infelizmente a loja não trabalha com timberland. Bastante prestativa e simpática ela me traz as caixas. Experimento dou alguns uma voltas e com essa checagem rápida me certifico que o tênis da reebook é mais confortável.

Em seguida ela os leva até o caixa, onde passo o cartão e com voz firme grito "DÉBITO", o atendendente (único homem da loja, com cabelo estilo Neymar), me joga um olhar de supresa como do tipo "tá podendo hein?" Qualquer desconfiança, que ele viesse a ter foi dissipada no momento que a máquina autorizou a transação.

O atendente me pergunta se quero participar da promoção de dia dos namorados: "Será sorteado um Clio 1.0", indiferente a isso, mas simpático as vendedoras e a ele que me atenderam bem, resolvo me inscrever no sorteio. Preenchidos os dados coloco na urna e ele avisa: "O sorteio é dia 12".

Achei curioso que ele passou a caixa para a mão da vendedora, que com um sorisso aberto, típico do soldado que cumpriu sua missão, a passa para a mim. Deve ser algum tipo de código da loja, para que a vendedora comece e termine a venda.

Da mesma maneira sorridente a vendedora e o Caixa, me desejam um "bom dia e ótimo domingo".

sábado, 19 de maio de 2012

Alter na Ativa!

Alter-ego: Ei cara... deixa eu sair? Sério, vai ser melhor.

Ego: Ah? Do que você tá falando, fica quetinho ai, você já me fode o suficiente sem fazer nada.

Alter-ego: É exatamente isso que você faz: NADA! Deixa eu sair, na moral, prometo que nossa vida será bem melhor.

Ego: Nem fodendo! Fica quetinho ai.

Alter-ego: Para com essa porra cara! Na moral, você é um merda, sempre jogando nas regras, sem medo de se arriscar de sentir o vento da manhã na sua cara. Fica ai enfiado em casa, estudando e trabalhando sem viver.

Ego: Olha... eu vou fingir, que não ouvi isso. As coisas não são tão simples assim.

Alter-ego: E nem tão complicadas como você acha!

Ego: Cara, se você está preso do outro lado, por alguma razão deve ser. Já falei, você pode destruir a nós dois.

Alter-Ego: Você já está se autodestruindo tendo uma postura tão passiva perante o mundo, ou melhor, está nos destruindo. Ah se eu saísse, iria fazer novos amigos, mandar meu chefe tomar no cu, pegar mais de dez, na balada. Não é isso que você quer fazer? Não entendo essa censura.

Ego: Já te falei as coisas não são tão simples, tudo isso que você disse pode ser verdade, mas eu sustento a nós dois, se dependêssemos da sua loucura estaríamos passando fome.

Alter-ego: Ah para com essa porra cara! Olha o mundo ai fora que você está perdendo. Deixar eu sair!

Ego Ah vc quer sair? Tá bom tente... eu o desafio.

Alter-ego: É isso mesmo que vou fazer... urrrrrgh... ei o que você está fazendo?

Ego: Nada... estou deixando que você tente sair.

Alter-ego: Para de palhaçada, deixa eu sair porra!

Ego: Já disse, saia... não te impedirei.

Alter-ego: Você tá me zuando, deixa eu passar!

Ego: Viu por isso eu falei que você ia tentar, se você quiser sair aprenda uma coisa: As mudanças são gradativas e não por completo. Você não tomará meu lugar tão fácil assim.

Alter-ego: É... mas se você deu uma brexa, eu posso observar o mundo externo, e em breve colocarei meu dedo, em seguida a mão, o braço e assim por diante. Eu vou sair uma hora.

Ego: Ah sim, outra coisa: Essas brexas são temporais não depende de eu ou você querermos são fatores da vida cotidiana que a fortalecem ou a enfraquecem. Essa ai se abriu, porque confesso, estou casando, preciso descansar.

Alter-ego: Ué? Mas há 5 minutos atrás você não confiava em mim.

Ego: E não confio, mas todo esse seu blá blá blá, me enxeu o saco, eu preciso tirar folga por um tempo. Aproveite a brexa de mudança, enquanto ela está aberta e enquanto estarei ocupado.
Alter-ego: Ei! Já consigo enxergar do outro lado!

Ego: Parabéns! O próximo passo é enfiar a mão.

Alter-ego: Ainda não dá para fazer isso, terei que esperar.

Ego: O importante é continuar na ativa.

Alter-ego: É isso ai! Posso te falar uma coisa?

Ego: Diga...

Alter-ego: No fundo, você legal.

Ego: Você também, apesar de não suporta-lo.

Alter-ego: Rsrsrsrsrs... Não temos alternativa, a não ser viver juntos.

Ego: Temos outra alternativa... a mudança! Se conseguir realiza-la. Boa sorte!

Alter-ego: Na moral...

Ego: O que?

Alter-ego: Seu pragmatismo é um saco. Vamos dormir, boa noite!

Ego: Boa noite!



terça-feira, 8 de maio de 2012

Buraco no Peito



Uma tirinha que resume (magicamente) o meu estado de espírito nos últimos anos...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Armadura

"Você tem que parar de se isolar, parece que tem uma armadura que impede a aproximação das pessoas"

É mais ou menos assim. É com esta frase que ouvi na última segunda-feira que começo o texto, um soco no estomago para começar muito bem a semana e mostrar como eu tenho dificuldade para lidar com relação outras pessoas. Estava em uma roda de discussão e parece ter caído a ficha de quão pouco vivido eu sou, mas não pela idade e sim pelos meus atos.

Quem me conhece sabe, que sou o tipo de pessoa que demora a dar confiança para os outros e as vezes demora para se inteirar de uma situação (hesitação que já me custou caro, algumas vezes).

Enfim, eu nem sei direito o que escrever nesse texto, pois não quero que fique um desabafo muito pessoal, seria bom ter alguém para desabafar, ao invés de focalizar na escrita (principalmente em um momento tão pouco inspirado como eu passo).

De uma duas semanas pra cá, ando mas fechado, com mais ataques de gagueira e ansiedade além de estar com algumas reflexões auto destrutivas como do tipo "porque eu tenho 21 anos e nunca namorei?" ou "porque não consigo me impor diante de muitas pessoas?" . É esse tipo de coisa que vem me alarmando ultimamente.

Se isolar é movimento natural: "Mother, should a build the wall?" Como diria Roger Waters, aliás, muro esse que já está construído e bem sedimentado inclusive. O problema é que quando alguma coisa o transpassa, eu fico muito mal. Por sorte, de um ano e meio pra cá adquiri um pouco mais de maturidade para lidar com esses problemas.

Com isso, eu aprendi a revidar também... muitos me consideram sarcástico, com humor ácido, direto e destrutivo. Isso é apenas uma reação de defesa, é assim que me protejo da pressão do mundo exterior. É mandando uma piada, ou avacalhação ou simples "foda-se", é como se tornasse mais fácil lidar com isso. Enfim, é como se o humor fosse a "espada" da minha "armadura".

Ao mesmo tempo, não gosto que sintam pena de mim. Não gosto de ser visto como coitadinho ou como alguém que é preciso de zelo excessivo (coisa que alguns amigos fazem comigo). Por mais que goste de zelo e carinho eu me sinto subestimado, como aquele que precisa ser cuidado e protegido, "porque é diferente, porque estuda ciências sociais e não engenharia, porque rechaça todas as mulheres que se aproximam dele".

Por falar em mulheres isso é outra coisa que me incomoda também: 99,999999% das mulheres que me conhecem tem a mesma visão de mim "bonitinho, legalzinho, bonzinho", esse "inho"... é o que me incomoda, parece que eu sou sempre uma mosca morta, mas isso também é reflexo da postura de não conseguir se impor. Ou então, elas vão para o outro grupo das que são rechaçadas automaticamente com meu humor ácido e acabam nem me conhecendo direito.

Eu sei que preciso trabalhar minha auto-estima, sei que preciso procurar ajuda e farei isso em breve, mas sabe, nem sei muito qual o sentido desse texto tão pessoal, que acaba virando um diário, parece aqueles textos de "paixonite" que eu escrevia sobre uma certa senhorita de cabelos escuros, dedos grossos e uma singela mancha no dente (que aliás, até um ano atrás era um dos motivos das reflexões auto-destrutivas). Eu acho que não condiz com a postura atual da vida que venho tomando, pois é complicado, ser tão emotivo quando a vida exige cada vez mais racionalidade.


Enfim, um foda-se geral e boa noite!


domingo, 15 de abril de 2012

Parafraseando Caetano

"O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...
Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola

Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou..."
Sem mais meritíssimo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Complexo de Pégaso

O amor é uma coisa estranha não é?
Devoto, dedicado comprometido e ainda assim louco.
O que é amar? Você me pergunta.
Simplesmente é lutar por aquilo, ou por quem você acredita.

O amor apareceu de formas controversas para mim.
Eu a amo, acima de tudo. Eu a protejo nem que tenha que dar minha própria vida.
E por que? Você me pergunta.
Porque eu a amo! Não tem resposta, sou fiel a ela, independente do que aconteça.

Mesmo ela sendo uma Deusa (literalmente), continuarei cultivando esse sentimento.
Galguei pelas doze constelações do zodíaco, apanhei quase até a morte, perdi todos meus sentidos. Mas valeu a pena! Eu a salvei do perigo! O fato de ela estar viva e radiante para mim já é o suficiente.

Em seguida fui ao fundo do mar, evitei que ela se afogua-se. E mesmo apanhando muito, mesmo tomando várias flechas no peito. Eu consegui! Continuo leal e fiel a ela apesar de tudo.

Depois fui até o inferno atrás dela. Onde fui julgado pelo meus erros, sofri maus tratos e quase morri congelado. Ainda assim, vi o brilho do sol que me levou até o céu. Aonde ela realmente estava.

No céu, não se engane, não foi nada fácil. Lutei contra a morte, literalmente contra a morte. E mais uma vez o seu amor e seu sangue foram a arma para a minha vitória. Em seguida enfrentei aquele que era o senhor do sub-mundo. Ele me perfurou o abdomêm com sua espada e eu fiquei paraplégico.

E mesmo assim, continuei fiel e a amando independente de tudo. Quando a lua persistiu em tampar o sol que ilumina a terra, fui atrás da minha amada para salva-la mais uma vez, e superei minhas limitações físicas.

E com certeza, continuarei a protege-la nem que tenha que dar minha vida para isso.
Como mil meteoros que caem do céu, ainda assim não chegam a intensidade do sentimento que eu alimento por você.

Pois eu serei sempre esse cavalo alado, batendo asas e correndo ao seu socorro, sempre protegendo a deusa da minha vida.

terça-feira, 20 de março de 2012

Os que andam de guarda-chuva

Eu não confio naqueles que andam de guarda-chuva. Não digo aqueles que eventualmente hão de carregar suas sombrinhas ao sair de casa à pé num dia de chuva. Me refiro mais àqueles que não obstante um bom clima, um dia claro, uma nuvem leve e branca... fazem questão de cultivar o velho costume de levar um grande e belo guarda-chuva preto (e que por muitas vezes, ao caminhar, podem ser improvisados também como bengalas) ao saírem de casa.

A esses o meu pesar. Explico-lhes o por quê.

Além de exibirem um estilo que está longe de ser considerado fashion pode-se presumir que essas pessoas devam sofrer problemas de sociabilidade. Eles são inseguros de si mesmos e tentam fazer de tudo para que o dia saia como o planejado, não esperando chuvas desconfortáveis e intromissões de pessoas desconhecidas (ou conhecidas). Eles estão preparados para qualquer surpresa: evitam-as. Se a surpresa do seu dia aparece-lhes de supetão assombrando-os no elevador social, eles evitam e esperam pelo de serviço, se a surpresa aparece-lhes na esquina, eles atravessam a rua e se a surpresa açoita-os pelos ares, lá está o grande guarda-chuva para lhes defender.

Assim seguem suas monótonas rotinas diárias, amedrontados com a possibilidade do erro, de que algo fuja do controle, que o controle fuja lhes das mãos e que suas mãos se movimentem sem o consentimento racional dos cérebros. Eles têm pavor daquilo que alguns chamam de instinto, "os instintos animalizam o homem", pensam, mas no fundo invejam àqueles que têm e fazem bom usufruto desse sentido animal. Não porque achem nobre ou coisa do tipo, mas têm a capacidade de compreender que esse mesmo instinto é muito importante nas relações afetivas humanas, importante na conquista, no olhar, no cheiro, na conversa, no toque, na sensualidade, no carinho e no sexo.

Quanto ao sexo, são estritamente monogâmicos e logo se casam com um de seus primeiros namorados, sendo que a maioria deles só terá efetuado relações sexuais com o seu conjugue, relações sexuais sem-graça, mas que dão pro gasto para ambos que não conheceram nada diferente daquilo, sem falar na importância da tão sonhada estabilidade e o medo de abalá-la por motivos de sexo. Para tudo isso, como uma espécie de remédio para suas libidos moribundas, tratam de encontrar uma fuga, mas não uma fuga de fato, que vai tão de encontro aos seus ideais de estabilidade, mas uma fuga menor, que não abale seus sistemas diários: um hobbie. Mexer com plantas, tocar um instrumento, focar-se em um esporte, colecionar objetos, criar pássaros e pintar quadros, só para citar alguns. Fora aqueles que se enterram no trabalho até o pescoço e transformam o sucesso da vida profissional a razão de suas existências. No fundo mesmo, não gostam de seus trabalhos, acostumaram-se, tendo em vista que o conquistaram quando jovens, e tendem a continuar no mesmo até idades avançadas. Passaram em algum tipo de concurso, já que dificilmente seriam indicados por um de seus amigos para um alto cargo particular, sem saberem ao certo o que se fazia no trabalho e logo acomodaram-se com as funções burocráticas do cargo feito especialmente para eles e do salário que analogamente ao sexo, dá pro gasto.

Vivem ano após ano "felizes" com aquilo que construíram, não imaginam suas vidas diferente daquilo que são e continuam cultivando o hábito do guarda-chuvas saliente. Acreditam que o trabalho, o esforço e a rotina são maus necessários para no final viverem seus tão adorados hobbies, artifícios para suportar a própria companhia...

Não sei, mas eu penso a vida como um teatro de surpresas, momentos mágicos abertos ao desconhecido. Mágicos exatamente porque não se sabe o que pode acontecer no instante seguinte, assim como o mágico tira uma pomba da boca e surpreende a platéia. A surpresa é boa, é saborosa, faz brilhar os olhos. Temos que nos deixar surpreender com a aleatoriedade do destino e cultuar a imprevisibilidade, porque a era da exatidão e da precisão já passou. Deixar o guarda-chuvas em casa e esquecer onde deixamos, perceber a diferença de andar sem o peso e com uma das mãos LIVRE.

Na verdade, não desconfio daqueles que carregam guardas-chuvas, tenho é pena deles.